| Ivo Chicuta
& Janete Santos |
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Definida como um distúrbio de aprendizagem
na área da leitura, escrita e soletração,
a dislexia é o distúrbio de maior incidência
nas salas de aula. Pesquisas realizadas
em vários países mostram que entre 5%
e 17% da população mundial é
disléxica.
Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia
não é o resultado de má alfabetização,
desatenção, desmotivação,
condição sócio-econômica
ou baixa inteligência.
Ela é uma condição hereditária
de caráter genético, apresentando ainda
alterações
no padrão neurológico. Por esses múltiplos
fatores é que a dislexia deve ser
diagnosticada por uma equipe multidisciplinar que
poderá proporcionar
um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após
o diagnóstico,
direcionando-o às particularidades de cada
individuo.
De janeiro a junho de 2008, 454 pessoas foram diagnosticadas
pela Associação
Brasileira de Dislexia, sendo que 284 destes pacientes
foram confirmados
como disléxicos, ou seja, apresentam distúrbio
de aprendizagem na área da leitura,
escrita e soletração. A análise
também confirmou que 31 crianças, de
5 até 8 anos
não alfabetizadas, que passaram pelo diagnostico,
estão na faixa de "risco",
pois apresentam características da dislexia.
Das pessoas que tiveram seus
diagnósticos confirmados, 54% apresentaram
dislexia em grau médio,
39% severo e 7% leve. No primeiro semestre do ano,
os homens revelaram-se
como os que mais procuram o serviço da Associação
Brasileira de Dislexia,
totalizando 68% das consultas no período. A
maior procura por diagnósticos
ocorre entre crianças entre 5 e 16 anos de
idade. Dentre os "não disléxicos",
os principais distúrbios detectados foram o
déficit cognitivo, o déficit de atenção,
distúrbios psiquiátricos e de aprendizagem.
8º Simpósio Internacional de Dislexia
De 11 a 13 de setembro de 2008, no Auditório
da FMU - Campus Ibirapuera
Avenida Santo Amaro, 1239 - Vila Nova Conceição
- São Paulo - SP
A taxa de inscrição vai de R$ 200 a
R$ 300. Informações: contato@dislexia.org.br.
O tema principal do Simpósio será "Dislexia,
Cognição e Aprendizagem"
e serão apresentadas pesquisas sobre processamento
auditivo e visual
das informações, o uso da neuroimagem
na dislexia, as principais características
ao quadro da dislexia, os diferentes trabalhos de
intervenção, as políticas públicas
que vêm sendo desenvolvidas para o auxílio
ao disléxico e as experiências vividas
pelas diferentes associações de dislexia
que estarão presentes no simpósio.
Direcionado para profissionais das áreas de
educação e saúde, como professores,
orientadores, coordenadores e diretores de escolas,
fonoaudiólogos, psicólogos,
psicopedagogos e médicos, entre outros, o Simpósio
também é aberto para pais,
familiares e pessoas que se interessem pelo tema da
dislexia.
O encontro tem o objetivo de trazer informações
atualizadas, no âmbito nacional
e internacional, sobre o distúrbio da dislexia,
alertando a comunidade sobre
esta dificuldade no aprendizado da leitura e escrita
e informando que ela pode
ser minimizada com orientação profissional
adequada.
No evento profissionais nacionais e internacionais
apresentarão trabalhos e pesquisas
na área de aprendizagem, leitura e escrita
através de palestras e mesas-redondas.
Dentre os destaques da programação,
está a presença, pela primeira vez no
País,
do Drº Eric Tridas, um dos maiores especialistas
mundiais em problemas ligados
à dificuldade de aprendizagem. Drº Tridas
é diretor do Tridas Center for Child
Development, centro de tratamento e pesquisas que
certifica pediatras no diagnóstico
especializado no desenvolvimento e condições
comportamentais das crianças,
como dificuldades de aprendizagem, autismo e paralisia
cerebral, entre outros.
Outra participação a ser destacada é
da Drª. Nancy Hennessy, consultora
especializada em educação especial,
foi presidente da Associação Internacional
Dislexia (IDA), a mais importante entidade ligada
aos estudos do tema em todo
o mundo, da qual a Associação Brasileira
de Dislexia é uma das 10 co-ligadas.
De Portugal, também pela primeira vez no Brasil,
esta confirmada a presença
da Drª Helena Serra, da Associação
Portuguesa de Dislexia. |